segunda-feira, 10 de maio de 2010
naquela teta maldita
era leite amargo
azedo
que azedava cada dia mais.
Era desconectada do resto do corpo
era um apêndice
uma corda
uma mangueira
flexível
fria
metálica.
Eu voltava a ela
de tempos em tempos
embora já enrugado
com a calva ferida
por movimentos repetitivos
mão cansada
nervosa, desobediente
insolente.
Quando o sangue escorria e
pingava a ponta de meu nariz,
voltava então à teta ilusória.
Experimento científico
sou eu, feto abandonado
ainda no ventre
criado em tubo de ensaio,
hoje crescido
envelhecido
aposentado
ferido.
Fiquei assim, inacabado
ligado à teta flexível.
Sou parte dela
sem sabê-lo
sonâmbulo apego
por mais longe que vá
a ela sempre retorno
a teta flexível
fria
metálica
RB
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
A Morte
domingo, 15 de novembro de 2009
Babel e a dificuldade em escutar o outro
GeométricasProcurar as orgânicas, os movimentos espontâneos, isto é, compreender a natureza para depois demarcar na sua geografia. A construção também tem que ser uma desconstrução. É necessário reflectir e inflectir. Procurar está na essência da geometria. Resolver, encontrar o arco, ligar dois pontos, enfrentar um projecto e uma idéia, empreender uma lógica, um mundo.
Tiago Carvalho
Poeta português
Babel e a dificuldade em escutar o outro
Um conflito pode durar um segundo, uma hora,um ano ou uma vida inteira.Meu último grande conflito demorou uma década e foi entrecortado por vários pequenos conflitos.Os últimos anos, claustrofóbicos me apertavam a garganta e seqüestravam o ar.Quando achei que ia sucumbir a um estado de loucura sem volta, inexplicavelmente tudo se abriu.Foi simples, começou numa ida a Eletropaulo, companhia gerenciadora de distribuição de energia elétrica.Fui encaminhada ao guichê 25 onde uma moça morena magra de olhos totalmente inexpressivos e boca sorridente me perguntou o que eu desejava.Retirei dezenas de contas de uma pasta e, esbaforida tentava explicar que havia sido orientada erroneamente por outra atendente na semana anterior.O sorriso da moça se alargou ainda mais e ela respondeu “A senhora já percebeu que a maioria dos problemas das pessoas são por mal entendidos?”
Como assim ? Perguntei “As pessoas não entendem a pergunta então a resposta fica sem sentido, com a resposta sem sentido a pessoa se desespera então a outra pessoa se sente acuada e por ai vai...” Por frações de segundos os últimos eventos da semana passaram qual um filme por minha tela mental e, é verdade, todos os mal entendidos da semana aconteceram porque o que eu havia falado não havia sido escutado ou havia sido escutado dentro da possibilidade de escuta da parte ouvinte, o que na maioria das vezes não legitimava o que eu havia falado. Sem dúvida vivemos numa Babel, onde a minha emoção busca sofregamente nos meus arquivos internos uma palavra que melhor possa traduzir o momento, onde a minha compreensão da palavra é diferente da compreensão do meu interlocutor. Primeiro de tudo, os arquivos internos são particulares pessoais e muito singulares. Cada pessoa armazena um numero diferente de verbetes e dá a cada um deles um significado pessoal, alem disso cada pessoa atribui a cada verbete uma ou varias traduções emocionais. Talvez devêssemos nos apresentar de outra forma, poderíamos começar as conversações assim “Bom dia eu sou a Ruth, armazeno 4200 verbetes e você quantos verbetes armazena?” Depois num segundo passo poderíamos ir mais fundo “ Muito bem que significado você dá ao verbete “INVEJA” ?” E só depois disso estaríamos mais confortáveis para conversar com as pessoas.Ao voltar para casa, não sem uma certa raiva e um sentimento de orgulho ferido, tive que dar mão a palmatória de que a tal menina atendente da Eletropaulo havia me dado uma aula de filosofia, ela havia me ensinado uma lição que carrego até hoje e, essa lição iniciou um grande processo de mudança e ruptura de um padrão de relacionamento que havia desembocado em uma década de conflitos familiares onde eu, ingenuamente havia acreditado que minhas explanações aos meus familiares haviam sido escutadas e negligenciadas, somente agora passada uma década e que percebo que nada que foi por mim dito, foi escutado ou compreendido, portanto nenhuma falta, falta só existem quando negligenciamos aquilo que compreendemos, não podemos culpar os outros por não nos escutarem, a maioria das pessoas não o faz.
domingo, 8 de novembro de 2009
Florais de Bach e a Sindrome da Pressa

Florais e a Síndrome da Pressa
Recentemente uma amiga muito querida que, está passando por problemas familiares, me pediu uma indicação de floral. Como ela não é minha paciente e sim uma amiga e, não se dispunha a uma terapia e sim a um remédio emergencial, eu indiquei RESCUE+ELM.Passados alguns dias ela me disse ter tido uma "piora” e não uma melhora.Perguntei porque ela achava isso e, ela respondeu que estava “Lenta, muito lenta” que o dia não estava rendendo e que suas funções estavam comprometidas. Ela estava desapontada e preocupada com a reação à medicação. Eu respondi que não havia nada errado com ela, o que estava acontecendo é que agora ela estava no ritmo “normal” dela !Ela se assustou com a minha resposta, se aquele era então o ritmo normal dela, isso queria dizer que não ia dar conta de todas as tarefas e as demandas diárias? Respondi que daria conta sim, mas, num outro ritmo. Outra coisa que alertei foi de “peneirar” a demanda diária e ver o que realmente era importante e o que poderia ser descartado. Recentemente, foi criado mais um rótulo para mais uma doença emocional do século XX, a “Síndrome da pressa” Essa síndrome é, assim como a Síndrome de Pânico, um “filhote” da ansiedade, gerada pelos valores artificiais de uma sociedade moderna consumista e competitiva, que substituiu valores éticos e morais estruturais e, sentimentos amorosos, fraternos e generosos por uma corrida desenfreada relacionada ao “desempenho” pessoal.
O desempenho, ou seja, sua maneira de se apresentar, ser e agir socialmente passou a ter uma importância e reconhecimento social desmedido, o desempenho sobrepujou valores internos do ser e do sentir. A pessoa passa a ser vista não por seus valores internos éticos e morais ou por sua capacidade de amar e dar suporte, mas sim por sua capacidade e criatividade ligadas ao desempenho nas funções sociais profissionais e domesticas.O desempenho como pais, patrão, empregado, profissional ou eclesiástico, não importa, o agir sobrepujando o sentir e o ser. O desempenho de pais não no sentido de dar suporte amoroso mas, sim em preparar o filho para essa mesma competitividade e inserção social. O desempenho de uma mãe em manter a casa em ritmo quase que empresarial ou industrial na mais perfeita ordem e funcionalidade.Um patrão ou empregado funcionando numa organização competitiva e lucrativa. Quando uma sociedade substitui um pilar estrutural básico de valores que acompanham a alma humana desde sua criação, por um pilar frágil e artificial, as doenças individuais e sociais se instalam. Nada pode se sustentar sem uma viga mestra forte, estável confiável e, essa viga mestra sempre em qualquer ocasião será o amor, único sentimento capaz de dar suporte, força coragem, de gerar justiça, fraternidade e de trazer paz a corações e mentes.A “Síndrome da Pressa” que é gerada por valores falsos tem como uma das conseqüências o estresse, fruto de uma cobrança interna relacionada a assertividade, sucesso, êxito e perfeição e a depressão decorrente da frustração e baixa auto estima originária da impossibilidade em cumprir tais metas. A engrenagem desse mecanismo é simples, e para curá-lo basta compreende-lo:
1) A sociedade consumista e competitiva substitui pilares estruturais básicos como os valores internos éticos e morais e os emocionais ligados ao amor e fraternidade por pilares frágeis de desempenho sociais êxito e assertividade.
2) Essa substituição gera doenças sociais e individuais, que se apresentam como baixa auto estima, falta de confiança em si e nos outros, estresse ansiedade, pânico,sentimento de impotência, medo com relação ao futuro, frustração ...
3) Para curar essa doença devemos retornar a valores “ que não tem preço”
Entender que para se viver nessa sociedade não podemos nos confundir com sua patologia, fortalecer nosso EU interno, juntarmos amorosamente os cacos da nossa alma esfacelada por anos de desnutrição e corajosamente voltarmos a nos amar e a amar os que nos cercam.
Ruth Botelho
Terapeuta Floral
Para ler mais sbre o assunto acesse o exto do site www.sitemedico.com.br procure a matéria sobre “ Síndrome da Pressa”Dr Vitor Giacomini Flosi e Dra.Danielle Lobato Gouveia Flosi
“Assim, o estresse passou a ser o representante emocional da Ansiedade, sua correspondência psíquica e egoicamente determinada. O fato de um evento ser percebido como estressante não depende apenas da natureza do mesmo, como acontece no mundo animal, mas do significado atribuído à este evento pela pessoa, de seus recursos, de suas defesas e de seus mecanismos de enfrentamento. Isso tudo diz respeito mais à personalidade que aos eventos do destino em si. ”
foto do tronco da árvore ELM , a nossa viga mestra nos momentos de estresse
terça-feira, 13 de outubro de 2009
A Menina que Gostava de Ler

É claro que li e, venho lendo, livros muito melhores, mas, esse me marcou de sobremaneira. Primeiro porque não foi escolhido nem por minha avó nem por mim conscientemente mas por minha alma.Esse livro apareceria ao longo da minha vida em sessões de analise e em flash back, e até hoje ano de 2009, mais presente do que nunca.
Para a criança que estava acostumada aos salões da sociedade carioca, nas festas com a família materna, no rigoroso colégio Sion e nos livros da Condessa de Ségur dados pela avó paterna, a leitura realista e moderna da obra de Defoe foi um susto, tirava o meu sono e a minha respiração, afogada debaixo das cobertas, lendo com a lanterna apontada para as letras.Li em poucas noites, passei as primeiras semanas de férias com dor de cabeça,dormindo pelos cantos da casa, vovô chegou a chamar o médico que para a minha sorte recomendou repouso e assim pude ler o livro durante o dia também.Para quem nunca leu o livro, é a história de um naufrago que fica 28 anos em solidão numa ilha, (depois de algum tempo ele tem a visita do índio Sexta Feira que é o alter ego dele) é a história da tenacidade, da força, do homem vencedor, da fé e da esperança.Historia de um homem que tem que construir a sua vida a partir do nada, lutando contra as intempéries da natureza, chuvas, mosquitos fome frio e consegue vencer sem a ajuda de ninguém. Poderia ser a historia do orgulho, mas também uma historia místico religiosa, o caminho do herói mas, mas do que tudo, o que me levava as lágrimas era a historia da solidão humana.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
In Blood we trust

Nesse Domingo dia 20 de Setembro, resolvi navegar por galerias de arte internacionais e, pude constatar que a maioria dos jovens artistas tinham como tema central o SANGUE, eram artistas Italianos, Japoneses, Americanos, Australianos enfim, todos os artistas por diversos paises tinham como figura recorrente blood.
Juntei alguns mais interessantes e postei no blog, os creditos estão abaixo da obra e alguns artistas com site
Lisa Alisa, NY USA










